Patrono 2017 - Paulo Flávio Ledur

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Feira 2016: dedicada ao Biênio Simoneano

Discurso proferido pelo Presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, Antônio Carlos Mazza Leite, por ocasião das homenagens a Simões Lopes Neto na Feira do Livro, 2016

Nestes dois anos que compõem o Biênio Simoneano – 2015/2016, a memória de Simões Lopes Neto vem sendo reverenciada permanentemente.

Homenagens como esta prestada pelos organizadores da 26ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, que a dedicam ao grande regionalista, confirmam o acerto do Governo do Estado em oficializar o Biênio através de decretoassinado no Palácio Piratini em 3 de março de 2015.

Na qualidade de presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, tenho a honra de representá-lo nesta festa literária para agradecer a homenagem e poder lhes contar um pouco da história desta instituição cultural.
Ao longo dos anoso Instituto João Simões Lopes Neto consolidou-se como fonte permanente de estudo pesquisa e divulgação da obra e da vida do seu Patrono e da realização de projetos culturais, educacionais que abarcam toda a gama de manifestações artísticas: literatura, teatro, artes plásticas, música e cinema.

Sediado na casa onde o escritor viveu durante dez anos, entre 1897 e 1907, o Instituto abriu suas portas ao público em 9 de março de 2006, dia do aniversário do escritor, tendo a casa sido completamente restaurada e acrescida do Auditório Carlos Reverbel.

A história do Instituto se confunde com a da casa a partir do ano de 1992, ano em que o pesquisador pelotense, biógrafo de Simões Lopes, Carlos Francisco Diniz, comprovou que a casa da rua Dom Pedro II, 812 havia mesmo pertencido ao grande escritor, que a vendera ao Major Hugo Piratinino de Almeida,depois de nela habitar por dez anos e, em suas dependências haver escrito a lenda do Negrinho do Pastoreio (publicada em dezembro 1906).
Em 1992, depois da descoberta, iniciou-se um movimento liderado por um grupo de estudiosos simoneanos, secundados por forças sociais ligadas à cultura, que redundou com a obtenção, pelo promotor de justiça Paulo Charqueiro, de medida liminar impeditiva da demolição da casa, já vendida a uma construtora. Em 1995, a juíza Luciana de Abreu Gastaud, confirma a liminar proibindo a demolição do imóvel histórico.

Em agosto de 1999, liderados pelo então deputado Bernardo de Souza, um grupo de simoneanos, fundou o Instituto João Simões Lopes Neto, associação civil pública, sem fins lucrativos que tem por finalidade “preservar, valorizar e divulgar a memória e a obra de João Simões Lopes Neto”, conforme se lê no art. 2º do estatuto.

Por feliz coincidência, o novel instituto teve como primeira presidente a Paula Schild Mascarenhas, neta do Major Hugo Piratinino de Almeida, aquele que comprou a casa de Simões Lopes. Neste mesmo ano, o então Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, sancionou o projeto de lei do deputado Bernardo de Souza, que “declara bem integrante do patrimônio cultural do Estado a casa, em Pelotas, que pertenceu ao escritor João Simões Lopes Neto”,Lei n° 11.377, de 5 de outubro de 1999.

A casa do Capitão da Guarda Nacional foi adquirida definitivamente pelo Instituto em janeiro de 2000, através de projeto aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com o patrocínio da empresa pelotense Josapar.

Nos anos seguintes, com muito esforço e criatividade, houve um incessante trabalho no sentido de restaurar a casa. Com a inestimável e competente colaboração da Ato Promoção Cultural,com o apoio incentivado de empresas como Josapar,CEEE - Companhia Estadual de Energia Elétrica e Copesul - Companhia Petroquímica do Sul, a casa foi completamente restaurada, mobiliada e equipada para receber seu público frequentador.

Em dezembro de 2005 a sede do Instituto João Simões Lopes Neto foi inaugurada oficialmente em cerimônia que contou com a presença de autoridades locais e estaduais, de patrocinadores e de simoneanos ilustres.
A Casa do Capitão, sede do Instituto João Simões Lopes Neto, foi aberta à comunidade no dia 9 de março de 2006.

Nestes 10 anos de existência o Instituto vem cumprindo muito bem seus objetivos. Sem dúvida valeram os esforços dos seus fundadores que de 1999 a 2006 conseguiram a façanha de restaurar a casa e criar um espaço cultural capaz de orgulhar seu Patrono, homem extremamente participativo na vida da cidade.

Assim, através de projetos como Simões vai à Escola, quando turmas de alunos do ensino fundamental e médio com seus professores visitam a casa e são recepcionados com palestras e projeções sobre a vida e obra de Simões. Ou quando banners que contam a vida e obra do autor são levados às escolas das redes de Pelotas e região e atividades em torno da obra são programadas pelos alunos.

Ou o projeto Teatro mostra Simões, que incentiva a encenação de peças e textos Simoneanos por alunos das escolas e faculdades além de grupos amadores e profissionais.

O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais, que este ano se realizará pela quinta vez, é outro projeto que se propõe a desafiar artistas plásticos a interpretar o universo simoneano a partir das mais diversas linguagens artísticas. O prêmio de aquisição tem, ano a ano, incorporado ao acervo do Instituto obras plásticas de grande valor artístico.

Neste momento, o acervo pictórico do Instituto está exposto no Memorial do Rio Grande do Sul, fazendo parte da programação intitulada “João Simões Lopes Neto: ontem, hoje e sempre – Biênio Simoneano 2015/2016”.
Na verdade, o Instituto João Simões Lopes Neto, honrando a tradição de seu patrono, está em permanente atividade sempre em busca de manter a chama que presidiu sua criação.

As palestras de eminentes estudiosos da obra e da vida de Simões Lopes Neto se sucedem a razão de uma a cada mês, na Casa do Capitão.

Os centenários dos Contos Gauchescos, em 2012, das Lendas do Sul, em 2013 e dos Casos do Romualdo, em 2014, foram comemorados com programações intensas e de grande qualidade intelectual. Cada um dos contos, cada uma das lendas e os Casos, foram objeto de análise e interpretação por parte de intelectuais do quilate de Flávio Loureiro Chaves, Aldyr Garcia Schlee, Donaldo Schüler, Luís Augusto Fischer, Regina Zilberman, Maria da Glória Bordini, Maria Luiza de Carvalho Armando e muitos outros do mesma estatura intelectual que encantaram e instigaram o grande público que normalmente assiste as palestras promovidas pelo Instituto.

Nestes dois anos do Biênio, as atividades são muitas e se deslocam pelo estado.

Além daquelas programadas pela casa como o projeto “Cinema na Casa do Capitão”, com curadoria do Aldyr Schlee, que se estenderá até dezembro, com sessões todas as quintas-feiras. Faremos uma grande exposição sobre Simões no Santander Cultural, durante o período da Feira do Livro de Porto Alegre. Além da exposição, e concomitante a ela, haverá um ciclo de palestras com nomes exponenciais da cultura gaúcha.

Ao encerrar essas palavras, quero agradecer em nome do Instituto João Simões Lopes Neto, o privilégio do convite para participar da abertura da 26ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, dedicada ao Biênio Simoneano e convidar a todos que participem das atividades programadas, principalmente da Exposição e do Ciclo de Palestras que ocorrerão na capital do Estado na primeira quinzena de novembro deste ano.

Muito obrigado!

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