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segunda-feira, 12 de março de 2012

Alfredo Laureano de Brum Sobrinho

http://www.gazetadecacapava.com.br/ver_news.php?id=03358&gp=Cultura&dt=12/03/2012&hr=10:49h&tit=Ex-presidente do PP lança autobiografia

Quem não gostaria de deixar registradas suas doces lembranças. É o que fez o auditor aposentado Alfredo Laureano de Brum Sobrinho, que escreveu um livro de memórias. O lançamento oficial da autobiografia deve acontecer em maio, durante a Feira do Livro de Caçapava.

         Além das histórias da família e da carreira profissional, com mais de 30 anos de trabalho na Caixa Econômica Federal, o que mais chama a atenção no livro são as revelações dos bastidores da política no governo Jorge Abdala (2001-2004), quando Alfredo Brum foi secretário da Administração e da Saúde. Ele conta também histórias das campanhas eleitorais, de quando foi candidato a vereador e quando apoiou candidatos a prefeito e a deputado. Ex-presidente do PP, Alfredo Brum hoje se diz desiludido com a política local. Abandonou o partido e não pretende ingressar em outro, nem concorrer a cargo nenhum. No livro, relata que algumas vezes se sentiu usado pelo partido. Mas em nenhum momento cita nomes de ex-companheiros do governo e destaca várias vezes que suas críticas são exclusivamente à atuação política e profissional dos envolvidos. Ressalta que muitos deles continuam seus amigos.

         Em entrevista a Gazeta, ele comenta alguns fatos narrados na autobiografia.

         Gazeta - Como foi para o senhor escrever o livro “Doces Lembranças”?

         Alfredo Brum - Esse livro o que me fez escrever foi um acidente que sofri no período em que estava vivendo em meu rancho no Durasnal. Isso acabou ocasionando uma doença rara, polineuropatia, que atingiu as pernas e os braços. Tão logo constatei que isso era verdadeiro tive uma pequena depressão. Fiquei em uma situação delicada e numa cadeira de rodas durante algum tempo, então meus familiares e amigos me sugeriram, tentando me reanimar, que eu fizesse alguma coisa. Comentei com eles que tinha muitos registros sobre a minha família. Então surgiu a ideia de escrever uma autobiografia. Acabei de escrever em dezembro de 2010, demorei 18 meses para concluir.

         Gazeta - No livro, como o nome já diz, o senhor cita várias lembranças. Quais delas considera a mais marcante?

         Alfredo Brum - Todas as passagens de minha vida foram marcantes. Do lado familiar é muito importante o período em que vivi e trabalhei com meus pais, que foi até os 16 anos. Meu pai era agricultor. Até os 6 anos de idade era filho único. Tinha um outro irmão, mas ele não morava lá em casa. Depois meus pais tiveram uma filha. Outro ponto essencial foi quando eu e minha companheira Arlene começamos a namorar. Ela era gerente de uma agência da Caixa Econômica Federal em São Paulo e pediu para sair de lá e vir morar em Caçapava. Tudo isso para a gente ficar junto. Nos víamos muito pouco, somente quando ia até São Paulo, pois era Auditor da Caixa Econômica Federal. Quando me aposentei, ficou difícil de ir até lá, e eu não queria ir embora por causa da minha propriedade rural, então ela acabou vindo embora para Caçapava. Acho isso muito marcante.

         Gazeta - Uma das partes que mais chama a atenção no livro é a que o senhor fala de política. Pelo jeito, teve muitas decepções com o seu partido, o PP. Guarda alguma mágoa?

         Alfredo Brum - As pessoas quando lerem o livro podem achar que tenho algumas decepções. Na verdade a política me trouxe muitas alegrias. Sempre fiz parte de alguma agremiação política, desde a época em que votei pela primeira vez. Era PTB, da época do Getúlio, Leonel Brizola, sou desse tempo. Quando veio a ditadura, já trabalhava na Caixa Econômica Federal, e tinha quatro filhos. Nesse tempo procurei ficar fora da política. Só me manifestava em época de eleições. Foi o que aconteceu quando Mário Covas foi candidato. Quando vim para Caçapava, por gostar da política, transferi meu título. Logo em seguida teve uma eleição, e quem concorreu foi a minha amiga Neli. Infelizmente perdeu as eleições. Digo isso porque tenho certeza que ela seria uma ótima administradora. Jorginho e Rosane também são muito amigos. Tanto que fui secretário dele. Quero deixar bem claro que no livro apenas comento algumas coisas que eu acho que podiam ter sido diferentes, isso não é uma crítica a ele. Na minha maneira de administrar, só digo o que senti, por isso escrevi uma autobiografia, tanto é que no fim do terceiro ano de mandado discordei de algumas coisas e pedi para sair. Sei que o Jorginho gostaria que eu continuasse, assim como eu queria continuar, só que a gente tem que ir até o momento que dá, foi então que preferi sair amigo de todos. Até hoje onde encontro os funcionários da Prefeitura vou abraçar, cumprimentar. Fiz grandes amizades. O que eu comento, que tenho mágoa, é que durante o período, tem coisas que você recebe sobre pressão, e você não tem um respaldo, uma ajuda, então você fica aborrecido, chateado. Fui secretário durante três anos, depois, o que aconteceu? Não digo pressão, mas pedidos, acabei na intenção de ajudar o Carlos Carvalho, então aceitei a candidatura para vereador. Não é porque eu não tenha sido eleito, acho que o povo é que tem o direito de escolher quem deve representá-lo. Gostaria de fazer tudo pelo município de Caçapava em agradecimento a esse povo bacana e amigo que encontrei aqui. Fui derrotado duplamente, eu e meu candidato a prefeito. Botei todas as cartas que tinha para jogar na mesa. Ajudei a fazer campanha, fiz tudo, eu e minha mulher, mas tomamos um baile. Tudo bem, é motivo para ficar chateado, claro que é, mas quem é o culpado? O Carlos? Não, isso faz parte de todas as pessoas que são amigas, ou políticos. Fiquei magoado comigo mesmo. Então penso o seguinte, depois de aposentado, fui em uma nova luta e fui derrotado, esta é a decepção. Fiz tudo e acabei até sonhando, no livro apresento um documento registrado em cartório no qual eu me proponho a doar 30% do meu salário para entidades sem fins lucrativos. Não tinha interesse econômico, eu tirando para as minhas despesas, o resto não me importava. No governo do Jorginho vivemos uma época muito difícil, de dificuldades financeiras. O prefeito não tinha automóvel, tinha um Comodoro antigo que dava mais incômodo do que prazer.

         Gazeta - Quando o senhor foi candidato a vereador, acha que não contou com apoio necessário por parte de alguns integrantes do partido? Existia uma campanha enganosa de inimigos em sua própria trincheira? Acha que foi traído por alguns integrantes? Por que não queriam que o senhor fosse eleito?

         Alfredo Brum - Não, isso não existe. No PP, o partido que era filiado, fui do diretório, presidente do partido. Saí do partido porque não queria mais participar. Então houve uma pressão para eu não sair do partido. O que acho natural. Perdi a eleição, o prefeito não é eleito, uma série de coisas. Isso foi culpa de alguém? Se tem um culpado fui eu. Não que eu tenha sido traído, me senti usado. Toda minha equipe sempre trabalhou para mim e para o Carlos Carvalho, eram cerca de 10 pessoas. Durante esse tempo me dediquei de corpo e alma. Toquei a minha campanha política com o que tinha no bolso.Mas não me arrependo de nada.

         Gazeta - No livro o senhor diz que era a favor do prefeito Zauri Tiaraju se filiar ao PP e concorrer a majoritária junto com Jorge Abdala. Porque o Zauri não foi aceito por alguns integrantes do PP?

         Alfredo Brum - Sou amigo do Zauri. Minha amizade com ele começou com uma visita, um convite do doutor Jorge, para ele vir a Caçapava. Na época ele era secretario do Planejamento em Lages. Fui designado pelo Jorginho para que fazer as honras da casa. A partir daí ganhei um amigo. Não existia naquela época partido político. O que tinha era eu como secretário e ele trabalhando em Lages. Cada vez que ele vinha a Caçapava, ia lá fora, no Durasnal. Uma certa ocasião, ele me falou que quando saísse de Lages, gostaria de vir morar em Caçapava e entrar na política. Passado algum tempo,iniciou a campanha do Carlos Carvalho. Ele falou novamente que gostaria de se filiar em algum partido, então sugeri o PP. Mas como suas pretensões era ser candidato a majoritária, solicitei uma reunião com a executiva do partido e os vereadores. O partido concordou com o ingresso do Zauri, mas não como candidato a majoritária. Gazeta - Como o senhor analisa a política hoje e quais as suas expectativas para o próximo pleito?

         Alfredo Brum - Sinceramente, tenho passado muito tempo afastado de Caçapava. Estou por fora do quadro político atual. Em matéria de política, geralmente a gente tem decepções. E para mim, que sempre fui ético, acho que a decepção ainda é maior.

         Gazeta - Se tivesse a oportunidade de voltar no tempo, o senhor mudaria alguma coisa?

         Alfredo Brum - Não mudaria nada. O livro é minha vida do jeito que lembro. Continuo tendo o mesmo respeito e a mesma admiração por todos os políticos, tanto faz do PMDB, PT ou do PP. Se fiz alguma crítica, foi em relação a algum procedimento que não deveria ter sido feito.

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