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sábado, 7 de maio de 2016

Saudação a Ipageú Teixeira de Macedo

Por Zauri Tiaraju Ferreira de Castro
Ipageú Teixeira de Macedo boleou a perna na Província de São Pedro do nosso Rio Grande no serro de Caçapava do Sul, no dia 21 de dezembro de 1945 e invadiu o mundo com a altivez e a estampa ímpar de um xucrismo consentido que pude encontrar tradução e compreensão nos versos simples e cheios de significado de uma obra antológica do cancioneiro gaucho:

“Pode me olhar que a mina estampa é de fronteira
Minha alma xucra evoca meus ancestrais
Velhas tropeadas por estâncias sem porteiras
Estouros rudes e cascos de mil baguais.”

Essa estampa a que me refiro começou a ser construída ainda na tenra idade. Aprendeu a acorelhar as letras lá pelo Rincão dos Três Passos, depois gauderiou por São Sepé, Santa Maria, Caçapava do Sul e Bagé.

Já mais taludo, sempre na senda das suas origens, foi estudar na Escola Técnica de Viamão. Foi lá no convívio do Centro de Tradições Gaúchas – CTG – da escola, sentindo saudades da família, carências amorosas e contatos mais estreitos com colegas de outras querências, reunidos para musicar em prosa e verso, entre um mate e um causo, cultuando e trançando raízes, que iniciou a professar institucionalmente a sua cultura riograndense.

De volta a Caçapava, encontrou esse movimento ainda insipiente, adormecido, visto que a prof Clara Haag que havia fundado um grupo de danças mudara para Porto Alegre.

Encontrou na Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção – EENSA – o Professor Mutilo Dias, também remanescente da Eta e o Araré Brum, já tendo participado de um CTG em Cachoeira do Sul.Flor de entusiasmos, fundaram o Grupo Folclórico Carreteiro da Saudades, Chimangos e Camabarás.

Buscaram o apoio do Instituto de Tradições e Folclore para instruir o grupo de danças e organizaram a parte cultural das Semanas Farroupilhas. Havia reverencia juvenil e a participação da comunidade para os concursos de gastronomia, música, poesia, danças (que lindas lembranças). Até julgaram Sepé Tiarajú perante a história com as célebres participações de Nico Fagundes e Alcides Saldanha.

Por essa época de 67/68 Ipageú esteve na vanguarda da construção do galpão do EENSA que nós alcunhamos de o Galpão dos Carreteiros, inclusive com dispêndio financeiro voluntário.

Ipageú cantava, dançava, declamava e apresentava o programa Carreteando pelos Pagos pela Rádio Caçapava nos sábados à tarde. Sempre muito preocupado e irrequieto e responsável, foi Diretor Municipal de Cultura e Turismo na administração do Prefeito Ciro Carlos de Melo.

Conheci o Ipageú de bombacha arremangada a meia canela, de alpargatas, de boina, amadrinhado e depois ajojado com a Sandra, seu contra mestre no alambrado da vida, também merecedora desta homenagem que hoje acontece. Pois, nunca vi um deles apartado do outro e seus caminhos se confundem com o tempo. Arrisco a dizer que só mesmo a Sandra seria capaz de complementar as andanças deste guauério arisco e ainda não domado de baixo e que por certo irá morrer de queixo duro e lombo liso.

E finalizando, Excelência, vou bolir seu coração, continuarás gauchão, por certo com prepotência, ficarão tuas vivências, porque é Deus que te concede e é o Rio Grande que pede. Sou seu mensageiro, continuarás por inteiro no intenso ardor que Procede.
E hoje fica marcado como um reconhecimento, para perpetuar esse momento de todos no teu costado. Revivido o teu passado onde fizestes barulho pra apresilhar com orgulho dos que não andam sozinhos, te tapamos de carinho e te abraçamos com júbilo.

Um comentário:

  1. Gostei muito desta homenagem feita pelo Zauri Tiaraju. Certamente que o Ipageú também gostou, pois me parece mostrar bem o seu perfil, a sua dedicação à Cultura Gaúcha em todos os seus aspectos. Obrigado Zauri por aceitar esta missão da nossa Feira do Livro.

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