Patrono 2017 - Paulo Flávio Ledur

sexta-feira, 3 de maio de 2013

“Papel da escola é ensinar o padrão culto da língua” disse o escritor Paulo Ledur



O escritor e mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS, Paulo Ledur, que é professor de Língua Portuguesa na Escola Superior do Ministério Público, na Escola de Gestão Pública da Famurs, na Justiça Federal, no Tribunal Regional Federal e no Instituto de Estudos Municipais, ministrou a oficina Nosso aluno precisa pensar mais e decorar menos, na segunda e na terça-feira, pela manhã, no Instituto Dinarte Ribeiro.

A proposta foi alertar os professores sobre a necessidade de fazer com que o aluno não se limite a decorar os conteúdos de Língua Portuguesa, e fazer com que estimulem o uso do raciocínio lógico, dedutivo, da atenção e da reflexão.
De acordo com Ledur, as crianças vão para a escola para aprender o padrão culto da língua, porque a linguagem coloquial elas já conhecem. E esse padrão só é assimilado quando inserido na linguagem.

- A linguagem oral é transmitida para a escrita no mesmo nível da fala. Isso esbarrou num problema, porque a fala é muito mais rápida que a escrita. A fala social é popular porque abre mão do padrão culto. Cada nicho adota um tipo de gíria e as gírias dos jovens mudam constantemente, enquanto que a dos adultos permanece a mesma por vinte anos. No dia a dia, há uma mistura de diversos padrões de linguagem. A escola não pode impedir isso, mas deve deixar claro que o seu papel é ensinar o padrão culto. Se isso não acontecer, mais adiante este aluno, irá fracassar, seja no vestibular ou em concursos. O internetês é a linguagem mais difundida hoje. É fantástica a rapidez que esta ferramenta proporciona, mas com isso vem a superficialidade e não precisamos ser superficiais. O processo da escrita não deve acompanhar a rapidez do envio. O papel da escola é alertar para isso - disse Ledur.

O escritor destacou também que os textos modernos precisam ter clareza, objetividade e concisão, sem perder o conteúdo.
- Não há lugar para aquilo que não diz nada ou diz o óbvio. Não existe mais espaço para formalidade, é preciso dizer o máximo, no mínimo. E a gramática existe para organizar a escrita. As pessoas têm mais capacidade de falar do que escrever, porque dispomos de mais recursos na oralidade, então a escrita tem que compensar esses recursos. Os erros gramaticais tornam-se pequenos diante do conteúdo escrito. Então se deve dar importância para aquilo que realmente é. Há erros e erros. Os professores utilizam 80% do tempo com gramática e 20% com produção textual, quando devia ser o contrário. Escrever bem é pensar, sentir e expressar bem. Falta sensibilidade na hora de escrever - concluiu o escritor.

Legenda: Gramático e mestre em lingüística ministrou oficinas no Instituto Dinarte Ribeiro

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