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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Homenagem ao professor Eduardo Marin


O professor Eduardo Marin, que se dedicou ao magistério durante 40 anos, foi homenageado na 22ª Feira do Livro, na noite de terça-feira, dia 8. Aos 88 anos, Marin falou sobre os colaboradores que o apoiaram na reestruturação e implantação do Ensino Médio na Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção: professores, funcionários e pessoas da comunidade. Também contou sua trajetória e história junto ao educandário.

Ex-alunos do professor participaram da homenagem e viajaram no tempo relembrando as aulas de geografia, as brincadeiras, os lanches, os amigos e colegas, os ensinamentos e principalmente as lições de vida que nortearam a caminhada de cada um.

Natural de Nova Palma, onde morou até a juventude, saiu de lá para fazer o ensino médio em Vale Vêneto, onde estudou latim, italiano, grego e francês. Apesar de ser formado em Filosofia com pós-graduação na Palestrina, em Porto Alegre, foi convidado pelo padre Otávio Cequim, em agosto de 1959, para lecionar geografia no Ginásio Estadual.

Fez parte da Sociedade Educacional de Caçapava, que teve sua origem em 1938, foi presidente da entidade e diretor da escola de 1963 a 1965, quando um marco histórico educacional e social aconteceu: a implantação do Ensino Médio com o início do curso científico, em abril de 1965.

Criou a biblioteca da escola, coordenada pela professora Maria Marques (já falecida). Iniciou a construção da parte nova, na rua General Neto, com recursos doados pelo prefeito Elpídio Cidade, e como presidente da Sociedade Educacional, construiu a parte nova do colégio, na rua Coriolano Castro, local que, de acordo com ele, foi muito feliz.

O professor lembrou também do empenho da comunidade escolar diante das dificuldades da época.

- Tinha colegas maravilhosos. Aprendi com eles. Caçapava tem muita gente boa, que olha para o futuro e aposta nele. Inúmeras pessoas e entidades nos apoiaram: Rádio Caçapava, Rotary Clube, Maçonaria e Câmara de Vereadores. Reynaldo Cidade foi a pessoa mais incansável no desenvolvimento do Ensino Médio e Eliseu Benfica também contribuiu muito com a escola. Ainda tinha uma equipe que ajudava a colocar a casa em ordem, como Luiza Macedo Machado, Manoel Torres, Maria Marques (já falecidos) e Saionara Ricalde - falou agradecidamente o professor.

         Dois anos depois de ter se aposentado da Escola Estadual, ainda lecionou Geografia na Urcamp. Em 19 de abril de 1995 recebeu o título de Cidadão Caçapavano, um reconhecimento do seu trabalho junto à comunidade.

        
A descoberta do megatério

Na década de 70 foi um dos principais protagonistas e coordenadores de um dos maiores fatos históricos e científicos da cidade: a descoberta e remoção dos ossos do megatério, do rio Pessegueiro, afluente do rio Santa Bárbara. Desde então, o local denomina-se Passo do Megatério. Alguns ossos encontram-se no Centro Municipal de Cultura e outros no Museu da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Porto Alegre.

Muitos pesquisadores e universidades o consideram referência em paleontologia e geologia em Caçapava. No livro Museus & Fósseis da Região Sul do Brasil, lançado em abril de 2011, ele é citado, com fotos da descoberta do megatério.

Eduardo Marin dedica-se atualmente a organização de um Museu Geológico no Espaço Cultural Bruno Stein, na Associação das Guaritas e a um programa semanal sobre drogas, com orientações, informações e apoio aos pais de dependentes químicos.

- Tivemos mais uma belíssima aula de nosso mestre Eduardo Marin. Falando de improviso, do alto de seus 88 anos, nos ministrou uma lição de vida. Com a mesma voz forte de tanto anos atrás, postura altiva, curiosidade de menino e humildade de quem respeita a vida, resgatou a história do ensino em Caçapava do Sul. Lembrou da trajetória de nosso colégio, que em vários momentos confunde-se com a sua própria história. Recordou de pessoas queridas da comunidade, como Reynaldo Cidade, Manoel Torres e Maria Marques, que foram decisivas para o desenvolvimento da educação no município. Falou da solidariedade do povo caçapavano. Ele, que nos fazia viajar por montanhas, mares e tantos países, observando nuvens, pecuária, agricultura, clima e povos, desta vez nos fez viajar ao passado - disse Denise Reischl, ex-aluna.


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