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sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Para o Meu Irmão, Alcy Cheuiche" saudação de Walter Galvani


 Por vezes, faltamos aos compromissos familiares. É o que me sucede hoje. Em verdade, deveria estar aqui, em Caçapava do Sul, prestando minha homenagem a Alcy Cheuiche, porque, se existe alguma coisa que se possa chamar de solidariedade e parentesco, é esta amizade que nos une.

Temos estado juntos desde sempre, ou desde que nos descobrimos. Temos feito um trajeto semelhante e muitas e muitas vezes ou, sem exagero, em algumas vezes, me orgulho de ter ajudado a inflar as velas do barco deAlcy, convencendo-o de que temos que continuar navegando.
É um bom propósito.

Sei, por exemplo, de quase todos os problemas e questões que afetam o foro íntimo e a personalidade pública de Alcy Cheuiche e defendo, com vigor e entusiasmo, o extraordinário papel que ele desempenha como escritor criativo e decididamente trabalhador e produtivo, e como mestre, como professor dedicado e generoso, de inúmeros trabalhadores intelectuais.
Alcy se doa, se entrega como ser humano cheio de  paixão pela escrita e compreensão pelos que querem crescer, sem reservas, pensando apenas no que eles poderão “vir a ser”, produzir, ampliar o campo de ação da atividade.

Não tem restrições e disso eu posso dar testemunho entusiasmado e sincero, aqui.
Durante muitos anos, enquanto mantive um programa de rádio na Guaíba, cujo aniversário de 55 anos comemoramos no dia 30 de abril e vamos festejar amanhã, contei com a presença de Alcy, ao alcance de um telefonema convocador da produção da rádio, para que nos trouxesse o brilho de sua inteligência e a contribuição da sua cultura, para melhorar o que poderíamos apresentar sobre este ou aquele fato, ou algo que ocorria na vida da capital gaúcha.

Quando ele se candidatou à uma vaga no Conselho Estadual de Cultura, mais e mais me senti realizado, porque, repito, era como um irmão meu que se projetava cada vez mais.
Não pensem que estou cobrando a reciprocidade, porque esta já houve,  pela sua dedicação e pelo seu apoio em todas as minhas pretensões, por mais loucas que elas fossem, por mais diáfanas ou desprovidas do senso da realidade.

Amigo é para essas coisas, todos sabem aqui em Caçapava, uma das fontes fundidoras do real caráter dosrio-grandenses, aquilo em que muitos brasileiros não acreditam, ou por não entenderem ou por desconhecerem a realidade generosa em que nascemos.

Assim, Alcy, quando de sua reeleição para o Conselho Estadual de Cultura, ocorrida há dois dias, senti a minha própria vitória pessoal, não pela eleição em si, você alcançaria o galardão sem o meu apoio, mas por sentir que aquilo que eu prego é mesmo a realização de quem tem méritos e não precisa de influências externas, mas sim da sua própria capacidade e essa você a tem de sobra.

Perdoem-me o desabafo, caçapavanos amigos, mas acho que Alcy ainda tem  um largo caminho a cumprir, levando seu nome e de seus concidadãos, porque cidade é a que a gente escolhe e não a que onde nascemos e crescemos por circunstâncias históricas. É uma questão de escolha. E sei que hoje ele está entre os seus, assim como ele é dos nossos, de Porto Alegre, da sua região metropolitana, enfim do Rio Grande do Sul, por ser um dos mais qualificados intérpretes do espírito, da tradição e da força gaúcha.

Recebe meu abraço, Alcy Cheuiche, e quero desejar-lhe, para o bem de todos nós, uma longa e proveitosa jornada.

Obrigado, meu irmão, por me apoiar nos momentos difíceis e significativos da minha vida pessoal e na minha carreira literária e pessoal e por seres quem és, um intelectual que distingue o Rio Grande e o Brasil!

Walter Galvani, em 4 de maio de 2012.

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